sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Educação Infantil

O Município de Esteio/RS, envolvido com o movimento nacional de construção de uma Base Nacional Comum Curricular - BNCC buscou, a partir de um movimento coletivo, escutar a polifonia de vozes dos profissionais da Educação Infantil do Município de Esteio, a fim de construir um documento normativo, que marca o início de uma política de qualidade, tendo como foco a garantia dos Direitos de Aprendizagem das crianças matriculadas na Rede Municipal de Ensino do Município de Esteio.

Perfil da Criança da Educação Infantil

A criança, ao concluir a Educação Infantil como primeira etapa da Educação Básica no Município de Esteio, terá o perfil de protagonista de suas aprendizagens, ampliando suas relações interpessoais e demonstrando empatia e respeito pelos seus pares. Ao ingressar no primeiro ano do Ensino Fundamental a criança deve saber fazer uso do seu corpo, coordenando suas ações nas mais variadas formas de expressões, inclusive naquelas que tangem aos interesses e as necessidades fundamentais para a construção das representações gráficas. Neste mesmo entendimento sobre o corpo, a criança egressa da Educação Infantil deve apresentar hábitos de autocuidado com sua higiene e alimentação. Ao ingressar no primeiro ano do Ensino Fundamental a criança deve compreender a funcionalidade da leitura e da escrita como uma importante prática social. Para isso, deve apresentar condições de levantar hipóteses sobre a construção da língua escrita a partir de registros, palavras e textos, de forma espontânea e fazendo o uso do referencial alfabético construído na Educação Infantil. Também deve ter condições de resolver situações-problemas, formulando hipóteses a partir das relações existentes entre os numerais e suas quantidades. Torna-se importante compreender que a criança que conclui a Educação Infantil é a mesma que ingressa no primeiro ano do Ensino Fundamental, devendo assim ser respeitada as características presentes na infância, a qual reconhece o brincar, como uma fonte inesgotável de aprendizagens ao ser considerada uma das mais potentes linguagens da infância.


Direitos de Aprendizagem na Educação Infantil

Como primeira etapa da Educação Básica, a Educação Infantil é o início e o fundamento do processo educacional.
Nessa direção, e para potencializar as aprendizagens e o desenvolvimento das crianças, a prática do diálogo e o compartilhamento de responsabilidades entre a instituição de Educação Infantil e a família são essenciais.

Dessa forma, direitos de aprendizagens promovem experiências por meio das quais as crianças podem construir e apropriar-se de conhecimentos por meio de suas ações e interações com seus pares e com os adultos, o que possibilita aprendizagens, desenvolvimento e socialização.
Os Direitos de Aprendizagem a seguir foram construídos pelas professoras da Educação Infantil do Município de Esteio, nas formações continuadas realizadas no primeiro semestre de 2017, tendo como referência o documento preliminar da Base Nacional Comum Curricular.
Cada criança deve ter garantido o direito de:
SER RESPEITADA: no seu interesse em participar, tendo valorizadas as suas vivências e seus conhecimentos, de acordo com seu ritmo, tempo e vontade de modo que sejam disponibilizados momentos em que possam se expressar de diferentes formas, experimentando diversificadas experiências, sem ser interrompida de forma abrupta, sendo respeitados, também, seus momentos de sozinhez.
RELACIONAR-SE: através de interações entre as crianças sejam ela da mesma faixa etária ou não e com os adultos, bem como, as diferentes maneiras de interação com jogos/ brinquedos (e não necessariamente da forma que o jogo ou brinquedo se destina) em tempos e espaços diversos. O educador precisa estar atento às crianças, respeitando suas escolhas e formas de relacionamento, mediando nos momentos de conflito e/ou situações cotidianas da escola da infância, reforçando as atitudes positivas.
EXPLICAR: a sua visão de mundo a seu modo, receber diferentes formas de explicação conforme seu tempo e suas vivências, ouvindo e sendo ouvida.
SER ESCUTADA/SER OUVIDA: desde bebê pelos seus educadores, familiares e demais adultos com que tem a criança tem contato de modo respeitoso, interessado em que esse(s) adulto(s) se faça(m) presente(s), dando importância e escutando, também, a expressão corporal da criança.
VIVENCIAR: através de interações em pequenos e grandes grupos com seus pares e, também, com grupos de diferentes idades explorando os sentidos, as diferentes linguagens em situações que o educador possa oportunizar momentos de escuta da criança levando em conta seu contexto social, histórico e cultural, interagindo e agindo através do lúdico com suas práticas favorecendo o seu aprendizado e convívio com seus colegas.
ESCOLHER: materiais, brinquedos, brincadeiras, alimentos de sua preferência e interações às quais serão diversificadas e ampliadas as suas possibilidades através da mediação do educador.
OPINAR: ao conversar e deixar que as crianças possam decidir sobre os mais variados assuntos sobre o que fazer em situações de conflito ou desafetos e/ou em outros momentos como a rodinha de conversa em que todos possam opinar sobre diferentes assuntos.
SER INCLUÍDA: em um ambiente acolhedor nos diferentes momentos da vida escolar e respectivos espaços com a devida adequação às suas necessidades garantindo assim, também, o respeito à sua individualidade.
SER ACOLHIDA: de maneira fraterna, segura, receptiva e acolhedora, recebendo do educador um olhar diferenciado, atento e sensível percebendo cada criança como um sujeito único e singular, com emoções e tempos diferentes para suas relações e aprendizagens, bem como, respeitando as suas particularidades e as da sua família.
DESCOBRIR: através da sua própria curiosidade aquilo que lhe desperte interesse, que seja fruto de uma novidade ou de redescobertas, possibilitando que a criança possa explorar livremente os espaços, ambientes, materiais (estruturados ou não).
IMAGINAR: através de um contexto planejado pelo educador, de forma lúdica, materiais, imagens, cenários etc que possam servir de base para estimular e favorecer situações, ações, pensamentos, (re)descobertas e relações que desenvolvam a imaginação, a criatividade, experiências emocionais e corporais do cotidiano, aproximando o real do imaginário.
CRIAR/PROTAGONIZAR: o seu conhecimento vivenciando situações significativas para seu desenvolvimento pessoal e cognitivo, explorando suas ideias, atuando com liberdade e autenticidade, explorando materiais e recursos diversificados, como também, os diferentes espaços, de acordo com o seu ritmo e tempo.
APRECIAR: enquanto sujeito em desenvolvimento as diversas situações de interações, sejam elas de crianças com crianças ou de crianças com adultos, em diferentes tempos e espaços, com autonomia para reconstruir as ações pedagógicas de forma prazerosa através da apreciação de objetos, momentos da vida escolar, vínculos afetivos e possibilidades de acesso.

Na Educação Infantil não há conteúdos, mas Direitos de Aprendizagem, Campos de Experiência e Objetivos de Aprendizagem e Desenvolvimento.


https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLScyqvwF-nN4AZDOQPaeub4HD9qR8_zQy8peybJqXkhLPHY2TA/viewform?usp=sf_link

2 comentários:

  1. Gostei muito, tudo o que falamos nos encontros foi colocado.

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  2. Percebemos uma falta de conexão entre o perfil do aluno e os direitos de aprendizagem da educação infantil, por este motivo sugerimos que no direito de aprendizagem descobrir seja acrescentado a questão da cultura escrita na pré-escola como uma descoberta dos símbolos gráficos e suas utilidades para a sociedade de forma lúdica com materiais diversificados respeitando o ritmo de cada criança.
    Grupo de Professores anos iniciais e educação infantil CMEB Clodovino Soares

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